
Classificada como Imóvel de Interesse Público em 1984, a igreja de Pontével surge na documentação desde a década de 1220, como Sancta Maria de Ponteval. Pertenceu à Comenda de São João do Alporão, da Ordem do Hospital de São João de Jerusalém – os Hospitalários – que, posteriormente, seria conhecida como Ordem de Malta.
A igreja primitiva ocuparia somente a zona da capela-mor. O edifício atual, com a extensão da nave até à torre, tem origem em campanhas de obras realizadas entre os séculos XVI e XVII, possivelmente por iniciativa do comendador António Botto Pimentel.
Nesta igreja destaca-se a imponente torre e a decoração dos séculos XVII e XVIII, com o interior totalmente preenchido com talha dourada, azulejos e pintura sobre pedra. Este contrasta com o exterior simples da arquitetura chã, tornando a visita numa espantosa surpresa.
Igreja Paroquial de Pontével
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Azulejaria
Datados do século XVII, os vários padrões da azulejo presentes em Pontével revestem totalmente as paredes e rodeiam os elementos de pedra, formando belas molduras. Encontramos ainda sete registos que representam o arcanjo São Miguel, São Sebastião, Cristo crucificado rodeado por dois anjos em adoração, e duas representações da Cruz de Malta.


Painéis de azulejo na Igreja de Pontével
Retábulo da Capela Mor

Este retábulo em talha dourada foi terminado em 1720, com o douramento feito pelo pintor Francisco Paulo Abril. Nele podemos encontrar vários símbolos ligados à Eucaristia, como cachos de uvas, pássaros a debicar frutos, o trigo, o sol ou o Cordeiro Místico, que nos remetem para a ideia de abundância.
Retábulo da Igreja de Pontével
A boca da tribuna era fechada com uma pintura de grande dimensão que retrata a Apresentação de Maria no Templo de Jerusalém e que hoje é possível visitar na Sala Museu.

Apresentação de Maria no Templo de Jerusalém
Sala Museu da Igreja de Pontével
Nossa Senhora do Desterro
A imagem de Nossa Senhora do Desterro representa a Fuga da Sagrada Família para o Egipto, como consequência da perseguição de Herodes. É uma peça processional, do século XVIII, com forte expressão barroca, em madeira estofada e policromada. Destaca-se a aposta na decoração do traje, na anatomia animal e na posição de Nossa Senhora com o menino Jesus ao colo, montada à amazona ou com sela lateral. O burro é conduzido por São José, apeado, com a palmeira a representar o destino da sua viagem – o Egito.

Imagem de Nossa Senhora do Desterro – Igreja de Pontével
Pinturas da oficina do Mestre da Romeira
Da segunda metade do século XVI e atribuído à oficina de Ambrósio Dias, o Mestre da Romeira, data um conjunto de quatro pinturas que podemos encontrar na Sala Museu.
Estas fariam parte de dois trípticos, constituídos pelas representações da Ressurreição, Pentecostes e Ascensão, sendo que, de um deles, apenas subsistiu uma representação da Ressurreição.



Ressureição
Ascenção

Pentecostes
Batistério e Pia

A Pia Batismal de Pontével é uma peça do século XVI, manuelina e esculpida em Brecha da Arrábida, que surpreende pelas dimensões invulgares (1,23m de altura por 1,08m de diâmetro) e desenho excecional.
Pia Baptismal da Igreja de Pontével
O Batistério data do século XVIII, como se verifica pela porta e pelo remate das paredes, ambos de recorte barroco.

Baptistério da Igreja de Pontével
Calvário

O Calvário da Igreja de Pontével representa o momento trágico da morte de Jesus na Sexta-Feira Santa, a que assistem sua mãe Maria e João Evangelista. Trata-se de um Calvário com imagens do século XV ou XVI, na tradição medieval destas representações, com imagens de encostar, em alto relevo, que eram colocadas em peanhas ou em retábulos. O retábulo é muito posterior às imagens, datando já dos finais do século XVII ou inícios do século XVIII. Esta iconografia de Nossa Senhora corresponde à quinta das sete dores de Maria: o seu sofrimento ao pé da cruz, assistindo à agonia do filho. O livro de João Evangelista remete para o Evangelho que virá a escrever.
São Dâmaso

A evocação ao papa São Dâmaso (século IV) – segundo a tradição portuguesa, nascido em Guimarães, e aqui identificado sobretudo pela tiara pontifícia – é pouco frequente em Portugal. A existência desta imagem na Igreja de Pontével explica-se pela possibilidade do património sacro do extinto Recolhimento de São Dâmaso ter sido integrado na paróquia. A ligação de São Dâmaso ao Recolhimento fundado em 1632 configura uma manifestação patriótica numa fase em que Portugal estava dominado por Espanha.
São Dâmaso – igreja Parquial de Pontével


